Eunice Barradas

O testemunho de uma família, pela voz da mãe, de uma criança multi-alérgica. Um relato íntimo, onde se abordam questões como a perplexidade causada pelo diagnóstico, as incertezas, a incessante busca por informação, o desespero causado pelas reacções anafilácticas, o recurso à homeopatia, o papel fundamental da família, a esperança num futuro melhor. Está tudo aqui.

Eunice Barradas,

Mãe do Guilherme, 3 anos e meio, alérgico à proteína do leite de vaca, clara de ovo, carne de porco, uva (pelo de gato, pelo de cão e folha de oliveira)

O seu filho é alérgico a que alimentos?

Neste momento, o Guilherme tem 3 anos e meio e desde os 5 meses que sabemos que é alérgico à proteína do leite de vaca (APLV).

Quais foram as primeiras manifestações das alergias? Com que idade? Percebeu logo que se tratava de um caso de alergia alimentar?

Descobrimos quando iniciamos a introdução das papas, na transição da papa não láctea para a papa láctea.

Sou mãe de uma menina de 14 anos e do Guilherme, como já referi, de quase quatro anos. Um bebé muito desejado, tanto pelos pais como pela sua irmã, que durante muito tempo nos pediu, perguntava quando é que tinha um irmão e, quando esse dia aconteceu, a Ana Filipa ficou radiante. Foi uma gravidez um pouco atribulada mas que valeu a pena. O dia em que o Guilherme nasceu, dia 15 de Julho de 2011, foi um dia de muito calor, tranquilo e muito feliz.

O Guilherme desde que nasceu foi alimentado ao peito, até aos 5 meses em exclusivo. Por volta dessa idade começou a fazer a introdução dos alimentos.

Aconteceu que certa tarde, depois de acordar da sesta, tal como era habitual, fiz a papinha com água, duas colheres de sopa não láctea e uma colher de sopa láctea. Assim que comeu a primeira colher, começou a engasgar-se e a vomitar. Como estava um pouco constipado, resolvi fazer-lhe um aerossol e a seguir voltei novamente a fazer a papa e novamente lhe dei, só que o Guilherme voltou a vomitar e a ficar aflito, repeti de novo o aerossol. Quando o pai chegou a casa do trabalho, olha para ele e verifica que o Guilherme estava a ficar com as pálpebras e os olhos inchados, bem como, as mãos, as pernas e em geral. Aí parei um pouco! Pensei logo que algo não estava bem.

Lembro-me que o pai lhe pegou ao colo, e eu fui pesquisar sobre o que estava a acontecer e acedi à internet, lembrei-me que tinha lido um artigo sobre alergias alimentares e digitei no Google as palavras: “sintomas de alergia alimentar” e “o que é alergia alimentar”, rapidamente liguei para o 112, pois percebi que era algo de grave o que se estava a passar com o nosso filho.

Sei que o meu marido me perguntou o que é que eu tinha lido, e eu lhe ter dito apenas que era melhor o Guilherme ser visto no hospital, pois podia ter necessidade de ser aspirado por causa da expectoração. Peguei na mochila e nas suas coisinhas e lá fomos nós, pela primeira vez no INEM, rumo ao hospital do Barreiro. Assim que lá chegámos, estavam já à nossa espera, e aí percebi que afinal, o coração de mãe não se engana e algo de grave tinha acontecido. Para fazer análises foi uma odisseia, porque não bastava ele ser tão pequenino, como também estava inchado, mas após várias tentativas, finalmente lá se conseguiu e agora era esperar o resultado para perceber o que se tinha passado, e enquanto esperei pelo resultado, fui falando com os médicos que o assistiram, tentando saber se tinha sido um choque anafiláctico.

No dia seguinte, logo pela manhã, veio a pediatra e uma enfermeira falar comigo e explicar-me que o Guilherme tinha tido sorte em ter sido logo assistido, e que sem eu saber tinha salvo o meu filho, pois com os aerossóis que lhe tinha feito em casa ajudei a que as vias respiratórias, permanecessem abertas e ele continuasse a respirar, pois assim ele não chegou a fazer um choque anafiláctico total.

Efectivamente o diagnóstico do Guilherme foi Alergia à Proteína do Leite de Vaca.

Lembro-me que as lágrimas não paravam de cair, pois percebi logo que a nossa vida ia sofrer uma reviravolta.

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 Que profissionais de saúde procuraram? Como se desencadeou todo o processo?

Ficou logo referenciado, para ser acompanhado na consulta de imunoalergologia pediátrica, no hospital do Barreiro, pois iniciou numa Classe 6, para a proteína do leite de vaca. Aproveito para agradecer ao INEM, 112 e Hospital do Barreiro em geral, todos os cuidados permanentes que nos têm oferecido.

Como foi a sua reacção perante o diagnóstico? O que é que mudou na vida familiar após o mesmo?

Acho que nenhum pai está preparado para isto, e eu apesar de ser mãe de segunda viagem, senti que não sabia nada e que este menino ia requerer mais atenção do que o normal, pois todos nós precisávamos de estar atentos a tudo o que ele ingerisse a partir deste dia, e necessitava de recolher mais informação, respostas a muitas questões, para as quais não tinha qualquer resposta. O tempo das consultas, não chegavam para obter as respostas e s preparação que necessitava.

Por essa altura, passei a fazer muita pesquisa, muita leitura de artigos, que apareciam, na internet, muitos deles em inglês, ia fazendo a tradução, para perceber como é que podia ajudar o meu filho na sua alimentação.

Visto que o Guilherme tinha 5 meses, estava a fazer a introdução dos alimentos e qualquer alimento novo, tinha de ser testado, com todo o cuidado.

Passei, a ir as compras, acompanhada com a minha filha e o meu marido, com tempo para ler os rótulos, e passamos a lê-los, para termos a certeza de que o alimento era seguro para o Guilherme; a apontar os ingredientes que nos deixavam dúvidas, e a pesquisar as suas composições, mas cada vez ficávamos com mais perguntas, e muitas vezes, nos sentíamos sozinhos e que ninguém nos compreendia, pois achavam que estávamos a tornar-nos paranóicos ou histéricos.

Já apanhou algum susto relacionado com as alergias alimentares? Pode partilhar?

Passado alguns meses, e tendo o Guilherme já cerca de um ano, certo domingo à noite e com amigos em casa fizemos bacalhau a Brás, para o jantar. O Guilherme sempre foi um bebé comilão, sempre disposto a comer, e como ele não parava de pedir a nossa comida, nós demos-lhe uma pequena porção, para ele provar e ele gostou imenso.

O Gui, que é como o tratamos, já comia ovo cozido, sem qualquer problema, mas eis que cerca de uma hora depois, já na sua cama começou a vomitar, a ficar prostrado e com hipotermia, novamente foi chamado o INEM,( e ainda bem que estavam cá os nossos amigos), e cada um começou a aquecer lhe os pés, as mãos, o corpo, até o INEM chegar.

Uma vez que moramos perto da ponte Vasco da Gama, nem esperámos pelo INEM em casa, fomos socorridos em plena ponte Vasco da Gama, pois a oxigenação ao cérebro já estava muito fraca, não havia tempo a perder, e la fomos nós a caminho do hospital do Barreiro.

Diagnóstico, o Guilherme é alérgico ao ovo, e como o ovo no bacalhau a Brás, é pouco cozinhado é brutalmente perigoso para quem é alérgico.

Aí os testes foram mais abrangentes, e ficámos a saber que era alérgico à carne de porco, uva, pelo de gato, de cão, folha de oliveira, e o leite continuava na classe 6. A terapia é fazer evicção de todo e qualquer alimento, que tivesse na sua composição o alergénio, bem como, fazer-nos acompanhar sempre de adrenalina injectável, Fluxotaide com camara expansora, Celestone para administrar logo que fosse necessário, até a equipa médica chegar e Singulair como prevenção.

A partir daí, o Guilherme começou a fazer muitas bronquiolites recorrentes, que em algumas vezes nos obrigou a ficar internados no Hospital da Luz.

Por essa altura, começámos a sentir que só as consultas de 3 em três meses no Hospital do Barreiro, não chegavam, pois não tínhamos um contacto a quem recorrer, para nos orientar quando o Gui estava em crise, pois no Barreiro as consultas são marcadas pelo médico, para controle, e não para urgências.

Numa dessas vezes a medica que nos acompanhou, e que conhecia o pediatra do Gui, aconselhou-nos a ouvir uma outra opinião, nomeadamente a Dr.ª Ana Isabel Diniz, que dava consultas no Hospital da Luz.

Como já era uma ideia que andávamos a ponderar, aceitámos o conselho e marcamos a consulta, e correu tudo bem, até que no dia 9 de Julho de 2013, (a poucos dias de fazer 2 anos), em plenas férias de Verão, ao chegar a praia, o Guilherme faz um choque anafiláctico, do nada. (o pior de todos).

Não tinha ingerido qualquer alimento, pois levava o pequeno-almoço na mochila para lhe dar na praia, não parámos para falar com ninguém no caminho, ele não mexeu em nada, pois foi desde casa até à praia sempre no carrinho. Tinha estado um pouco adoentado com alguma febre, mas já tinha tido alta do médico.

Mal chegámos, o Gui começou a vomitar e a ficar prostrado, eu fiquei bloqueada e o meu marido começou a pedir ajuda, enquanto os nadadores salvadores, me faziam perguntas e assistiam, para perceber o que se estava a passar.

Um deles nunca tirou, por nenhum momento, os dedos da garganta do meu filho, a ele lhe agradeci muito, por o que fez.

A minha filha, que já estava na praia com a tia, apercebeu-se que se passava alguma coisa com o irmão, e correu, direita a mim a perguntar o que era. Ela foi a única que se lembrou da caneta de adrenalina (que já nos tinham apresentado, comprámos, mas nunca tínhamos visto nenhuma demostração) que estava na mochila do irmão, e assim fizemos. Visto estarmos tão atrapalhados pedimos ajuda, onde apareceu uma senhora analista que lhe tentou injectar a caneta, apesar de não ter sido na totalidade, foi o suficiente para ele reagir um pouco, fomos auxiliados por tanta gente, até a equipa médica chegar.

Tive medo, pavor, enfim foi horrível. Foi um desespero, uma impotência, foram uns minutos que pareceram uma eternidade, pois o Gui estava a deixar de ter reacção, à minha voz.

Recordo que foi assistido na ambulância, e as primeiras palavras que ouvi foi o valor de oxigénio, já depois de lhe termos dado um pouco da caneta de adrenalina, sim porque não conseguimos dar toda (debaixo de toda aquela tensão e sem experiência de administração da caneta, atrapalhamo-nos e algum liquido foi para fora. Aconselho a todos, que percam um tempinho a ver alguns vídeos que estão disponíveis na internet, de como se deve proceder, bem como a amigos e a familiares que lidem com meninos e meninas alérgicas e que necessitem de recorrer a este tipo de terapia). O Gui estava com 68% de oxigénio, o que era grave, logo ali levou adrenalina, e lá fomos nós até ao Centro de Saúde de Vila Real de Santo António para o estabilizar e depois seguimos para o hospital de Faro.

As perguntas eram tantas, que nós fazíamos. O que aconteceu? Ele é alérgico a quê? Ao sol? À maresia? À areia? Ao calor? Á roupa de protecção solar? Até hoje não tenho resposta, não sabemos o que foi. Temos várias, explicações, mas nenhumas conclusivas.


Nesse ano, tirámos 3 semanas de praia e o Gui constipou-se logo nos primeiros dias, em que chegou à praia. Tomou antibiótico e, quando ficou melhor, falei com o pediatra e ele aconselhou a a levá-lo pela manhãzinha para apanhar o ar e água da praia, assim que deixasse de ter febre, para ajudar a expectoração a sair.

Sendo que o sistema imunitário dele estava fraco, pode ter sido o organismo que reagiu…., será????

Outra hipótese: a casa para onde fomos passar férias tinha sido pintada havia pouco tempo e, quando fomos para lá,  ainda se sentia algum cheiro a tinta, mas nada que não se suportasse.

Pode ter sido, pelo cheiro da tinta e como o sistema imunitário estava fraco, o organismo reagiu assim?????

Bem, se já tínhamos duvidas, ainda aumentaram mais, pois começámos a pensar será que o Gui também é alérgico por inalação. Já sabia que era por ingestão e por contacto dérmico, e estas ainda podíamos controlar. Mas o cheiro? Como controlar o ar?

Quando voltámos a casa, fomos ter com a Dra. Ana Diniz, ao Hospital da Luz, e assim que contámos o que tinha acontecido, imediatamente, nos encaminhou para o Hospital da Estefânia, pois percebeu que o caso tinha que ser estudado, e seguido pela imunoalergologia.

Iniciámos novo processo, com um novo médico, voltamos à estaca zero. Aí fizemos o estudo, para ver se o Guilherme tinha a proteína C-reactiva ou não, o que podia explicar-nos, que quando o sistema imunitário está com as defesas em baixo, poderia deixá-lo mais predisposto a ter algum choque anafiláctico, quando exposto ao calor ou ao frio.

Foi inconclusivo, pois numa análise deu que não tinha, na contra-analise, não deu qualquer resultado e na 3ª deu que efectivamente tinha a proteína.

Enfim, cada vez me sentia mais angustiada, com medo de tudo e de todos, se já pesquisava, agora passei a ser mais exaustiva, mas mesmo assim, continuava a ter muitas dúvidas, cada vez mais.

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Passei então a ter como lema de vida, um dia de cada vez, pois não queria andar a sofrer por antecipação, passamos a ser ainda mais controladores e, involuntariamente, a isolar-nos um pouco, pois evitávamos qualquer situação que sentíssemos que poderíamos, não conseguir ter qualquer controlo.

Passei a evitar restaurantes muito grandes, deixei de ir a casa de amigos em que senti falta de sensibilização para a situação, enfim protegi o meu filho, para evitar situações em que sentisse que poderia deixar de ter segurança, e o pusesse em risco.

Alguns poderão estar a pensar, que atitude tão drástica, é verdade, mas depois de ver os efeitos colaterais, da administração da adrenalina, pois após a sua administração há necessidade de administrar medicação que estabilize o ritmo cardíaco ,e perante isso, sentia a necessidade de o afastar de tudo o que pudesse ser perigoso, para ele.

A partir dessa altura, passou por ele, próprio, a rejeitar alguns alimentos, que não lhe causavam qualquer alergia, e que ele sempre tinha comido, ate aí. A hora da refeição passou a ser uma altura de grande tensão para nós, e para a sua avó Raquel (que dizia que o nosso menino até dava gosto a ver comer), e para ele, pois começamos a perceber que o Guilherme começou a ter medo de comer.

Andamos na consulta de psicologia, no Hospital da Estefânia, e aí percebemos que o episódio da praia, foi muito difícil para o Gui, pois ao fim de algum tempo percebemos que ele retirou da sua alimentação tudo o que comia enquanto estávamos na praia. Parece impossível? Mas é verdade e ainda hoje, passado quase dois anos, ainda não voltou totalmente a sua alimentação de antes.

Temos ido, lentamente, introduzindo alimentos, umas vezes corre bem outras vezes não, mas não temos desistido.

Entre o verão de 2013 e o verão de 2014, praticamente, passámos todos os meses, a correr para o hospital e a ficar internados, ora com faltas de ar, ora com bronquiolites, ora com desidratação por diarreias, ora com obstipação, enfim, foi um ano particularmente difícil. Cada vez tinha mais, dúvidas, mais perguntas, menos respostas.

Em, Abril de 2014, tivemos a agradável noticia que tanto nos testes cutâneos como nas análises sanguíneas, deram negativo para a gema de ovo, e introduzimos, no hospital e correu bem, finalmente uma boa notícia.

Até que um dia, algures em Setembro de 2014, vimos a reportagem Beijo Proibido, na SIC, e vimos que não eramos os únicos pais com um filho alérgico, com as mesmas preocupações que nós, lembro-me que vi a reportagem mais de uma vez, e as lágrimas me corriam, pois finalmente ouvia alguém falar a mesma linguagem que eu, e que sentia os mesmos medos e ansiedades que nós. Afinal não estávamos sós.

Resolvemos então associarmo-nos à Alimenta (Associação Portuguesa de Alergias e Intolerâncias Alimentares), o que foi muito positivo, enquanto grupo de partilha e de apoio.

Mesmo assim, ainda tinha dúvidas acerca da forma como o Guilherme estava a ser apoiado, pois sentia que o sistema imunitário, estava cada vez mais fraco, pois ao mínimo, ele ficava doente. Então, após muita ponderação, resolvemos optar por o nosso filho continuar a ser acompanhado na Estefânia e a procurar alguém no privado, a quem pudéssemos recorrer, sempre que houvesse uma crise ou uma urgência.

Procurámos um Imunoalergologista e ao mesmo tempo um Homeopata. Desde que iniciámos a homeopatia, tem estado melhor, em relação as faltas de ar e às bronquiolites, sendo que desde que iniciamos o tratamento em Outubro de 2014, o Gui teve apenas 2 ou três dias de febre e pouco mais.

Durante o mês de Fevereiro de 2015, fizemos testes cutâneos e análises sanguíneas, que deram negativo para a clara de ovo. A introdução foi feita  no hospital, este mês, mas ainda não é segura, pois apesar de ter dado negativo, ainda fez urticária, por isso em Setembro irá voltar a tentar a sua introdução. Em relação às proteínas do leite de vaca, baixaram da classe 5 para a classe 2, por isso, tudo indica que ele está melhor mas ainda, temos muito caminho pela frente. As melhoras são lentas e temos de ser pacientes.

Os profissionais que procurámos foram:

  • Hospital do Barreiro, Dr. Carlos Barradas
  • Hospital da Luz, Dra. Ana Isabel Diniz
  • Hospital Estefânia, Dr. João Marques
  • Hospital da CUF Descobertas, Dr. Mário Morais de Almeida
  • Homeopata, Juan Carlos Herrera

O seu filho frequenta alguma instituição de ensino, actualmente?

O Guilherme não frequenta nenhuma instituição escolar, está com a sua avó Raquel nos períodos em que estamos a trabalhar eu e o meu marido.

Infelizmente, tem sido uma grande luta quando nos aproximamos de alguma instituição escolar é assustadora a falta de preparação, bem como, o receio de ter um alérgico nas suas instalações. Agradeço aqui à minha sogra todo o seu empenho, bem como, a todos os outros familiares e amigos que tanto nos ajudam e o estimam.

Tem uma filha mais velha, sem alergias alimentares. Como é que é a relação dela com o irmão?

A minha filha Ana Filipa é o nosso braço direito, cresceu mais rápido graças a todos esses acontecimentos. Alerta-nos para os perigos constantes e, por vezes, é o nosso amparo para se manter a calma debaixo do stress de uma urgência. Ama o irmão, assim como o irmão a ama a ela.

O que é que a “Eunice de 2015″ diria à “Eunice que acabou de receber o diagnóstico”?

Por fim, a Eunice de hoje, diria a ‘Eunice de ontem’, e a todos os pais de meninos alérgicos, que estão a passar por todo este processo, que é um caminho longo, difícil, que se faz caminhando sem nunca baixar os braços, e derrubando barreiras. Digo-vos: não percam a esperança, não deixem de procurar respostas para as vossas questões e não sintam que estão sozinhos, pois todos juntos podemos fazer a diferença e ajudar, a cada dia que passa, dar qualidade de vida aos nossos filhos.

Muito há a fazer, pois a nossa sociedade, não está preparada para lidar com esta situação, começando por dar formação, desde a Maternidade e todos os profissionais de saúde, familiares, escola, amigos, etc, etc, mas, todos juntos podemos fazer a diferença.

Obrigado por me darem esta oportunidade de deixar aqui o meu/nosso testemunho, esperando que este vos possa ajudar!

Mãe Eunice e Pai João

ENTREVISTA: O Copinho de Leite

13/04/2015

4 thoughts on “Eunice Barradas

  1. Eunice , muito emocionante o seu depoimento , e como é bom saber que podemos contar uns com os outros .
    Copinho de Leite , Marlene ,sempre com muita qualidade estas entrevistas , bem hajam

  2. Acabei de ler todo este relato que me pareceu tão familiar, infelizmente.
    O meu filho mais novo, que acaba de completar 3 anos, também tem APLV classe 6, é alérgico ao ovo e à banana. Descobrimos a alergia ao leite também aos 6 meses com a primeira toma de leite adaptado. Um susto enorme!
    Felizmente frequenta uma creche onde ter sido tratado como um menino normal mas numa condição especial.
    Mas temos lutado contra a incompreensão e o preconceito de muita gente.
    Mas a verdade é que ele é um menino muito feliz. Tenho fé que isto um dia lhe passe.
    Muita força e esperança para a vossa família.

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