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Dez tipos de mães de crianças com alergia alimentar… nos grupos do Facebook

Em 2015, escrevi um post sobre os dez tipos de mães de crianças com alergia alimentar. Três anos depois resolvi voltar a este tema, que me é tão caro, e discorrer sobre os dez tipos de mães de crianças com alergia alimentar, nos grupos do Facebook.

Lavoisier

Para esta mãe, nas redes sociais nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. É vê-la criar grupos temáticos no Facebook alimentados, única e exclusivamente, por conteúdos produzidos por terceiros. It’s a piece of a cake!

Caps Lockiana

Há alguém que lhe explique onde se desliga o raio do Caps Lock ou que usá-lo assim é como se estivesse a gritar? ANAFILAXIA! ALERGIA! RISCO DE VIDA! ADRENALINA. Áááá. Hum, ninguém?

Viral

Esta mãe está para os grupos do Facebook, como o Influenza para uma sala de espera de um hospital, no pico da gripe. Dissemina os seus posts em tudo quanto é sítio. Naqueles dias mais inspirados nem o placard de avisos do condomínio do prédio lhe escapa ou a porta do WC, da área de serviço de Aveiras de Cima.

Sassá Mutema

É a salvadora da pátria por excelência. Tem grandes planos para o seu bairro, para a comunidade alérgica e, quiçá, para o mundo… o problema é que não conhece nenhum dos três tão bem como isso.

Forasteira

Da forasteira sabemos pouco, apenas que está nestes grupos com uma “agenda” qualquer, a maior parte das vezes de índole comercial/promocional. Por vezes, salta a pés juntos para dentro de alguns posts, a dizer barbaridades, mas não o faz muitas vezes porque caem-lhe todas em cima. Go mums!

Abnegada

É aquela que cheia de entusiasmo partilha, por exemplo, a foto de umas novas bolachas sem leite, sem ovos e sem trigo, o rótulo destas e a confirmação da marca, por escrito, que a linha de produção é benzida e higienizada 10 vezes ao dia.

DiY

Uma partilha de uma mãe abnegada dá sempre o mote para a intervenção de uma mãe Do it Yourself (DiY).

O quê? Já viu a quantidade de açúcar, corantes e conservantes que essas bolachas, que acaba de partilhar, têm? Eu cultivo os meus próprios cereais, colho-os, torro-os, moo-os e envolvo-os nos mais exclusivos ingredientes, para dar origem a umas não menos exclusivas e muitooo mais saudáveis bolachas”.

Sibila

Quando os posts já vão longos há sempre uma sibila que chega para esclarecer dúvidas e apaziguar espíritos inquietos… por mensagem privada (MP). Atenção MI6, NSA, SIS, KGB, Inspector Gadget. Esta mãe sabe “cenas”.

“Mama”

A “mama” é uma mamã que algures no processo de evolução perdeu a capacidade de colocar acentos nas palavras.  Darwin explica isto muito bem.

Attenborough

A mãe Attenborough é uma estudiosa destes fenómenos sociais. Está em todos os grupos dedicados ao tema das alergias alimentares, mas raras vezes se envolve. Tudo em prol do distanciamento que a análise social requer, obviamente.

 

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Para a vida toda

Sabemos que a planificação das refeições é algo muito importante para a nossa família, quando damos com o nosso petiz a trautear a canção “A Vida Toda”, da Carolina Deslandes, nos seguintes moldes:

“Fizemos pequeno-almoço para a vida todaaaa…”

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5 Tipos de Pais de Crianças com Alergia Alimentar

1 – O “Laissez faire, laissez passer” O pai “laissez faire, laissez passer” sabe que a engrenagem está bem oleada. Habituou-se a intervir o menos possível, sob pena de colocar em risco o equilíbrio alcançado. 2 – O Autodidacta Após o diagnóstico do seu filho, o pai autodidacta decidiu que iria ler todos os documentos…
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Por que não te calas?

A ideia de que a alergia alimentar não definiria o meu filho sempre fez todo o sentido para mim e, todos os dias, faço tudo o que está ao meu alcance para que assim seja. Mas, talvez por estar tão empenhada nesta tarefa, comecei a deixar que a condição de “mãe de criança com alergia alimentar” me comece a definir a mim e seja justificação para tudo, na minha vida. Nem eu tenho pachorra para mim, tal é a crise de verborreia (lembram-se deste tipo de mãe?) relacionada com o tema que me acometeu nos últimos meses. Pareço o Lobo Antunes a falar do Ultramar, com a única diferença que ainda não operei ninguém a sangue frio.

Eu, no elevador do prédio:

“Vizinha, atenção aí às migalhas da bolacha do seu filho. É que o meu é alérgico e blá, blá, blá…”

Eu, entre amigas:

“Sim, estou cheia de olheiras é que me deito tardíssimo, porque tenho de fazer as refeições do pequenino por causa da alergia e blá, blá, blá…”

Eu, com o início de uma pneumonia nas urgências:

“Pois tenho de ter cuidado, sobretudo porque o meu filho tem alergia alimentar e blá, blá, blá…”

Eu, num grupo de discussão online sobre marketing:

Sim, o meu blogue em WordPress é sobre alergia alimentar, blá, bla, blá…

Eu, no supermercado, dirigindo-me a uma perfeita estranha:

“Gosto de ler os rótulos. É por absoluta necessidade, pois o meu filho tem uma alergia blá, blá, blá…”

Eu, numa reunião de trabalho:

“O meu filho é alérgico ao leite e blá, blá, blá… (oh bolas, como é que eu comecei a falar disto neste contexto!?)

E, esta noite, eu a sonhar que estava no Quem Quer Ser Milionário a responder a uma questão sobre o quê? Isso mesmo! Alergia alimentar! Concretamente, sobre IGEs não mediadas. Pufffffffff…

Posto isto, façam-me um sinal se me virem falar demais.

Eu vou tratar-me, prometo.

Alergia

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Um clássico revisitado

Pequeno Copinho de Leite vê uma foto antiga dos pais na fase inicial de namoro, com um ar muito imberbe, sentados à mesa de um restaurante.

Segue-se a pergunta sacramental: “Onde é que eu estava?”

Ainda eu tecia considerações várias e altamente improvisadas sobre o facto de ele ainda não ter nascido, quando acrescenta:

“ONDE ESTAVA A MINHA COMIDA????” 😮 😮

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Leite de Pato

E quando a meio da leitura de uma história sobre uma família de patos, é-nos feita a seguinte pergunta:

 

Pato

 

🙂 🙂 🙂

 

 

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Mãe Copinho de Leite, refém da sua cabeça

Vou ficar uma semana longe do meu pequeno Copinho de Leite, pela primeira vez na minha vida. O tempo máximo que já fiquei longe dele foi cerca de 12 horas, quando tinha apenas um mês e pelos piores motivos: o falecimento da minha avó. Desde aí, não desgrudei nunca mais. Já lá vão três anos.

Racionalmente, sei que temos de aprender a delegar tarefas, a aceitar a ajuda de quem nos quer bem e, enfim, a respirar outros ares, mesmo que seja por motivos profissionais. Sei a teoria toda, agora colocá-la em prática é outra história.

E perante isto, o que é que uma mãe Copinho de Leite faz? Somatiza, claro!

Para já, e a escassos dias de viajar para um destino onde se registam agradáveis temperaturas de -2 graus, arranjei uma amigdalite daquelas mesmo beras, com direito a febres altíssimas com delírios incluídos. Pequena nota que torna esta história ainda mais singular e que evidencia a minha extraordinária capacidade de somatização: eu já não tenho amígdalas desde os sete anos!

Adivinham-se tempos divertidos.

 

Medicacao