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2018

Em 2018, vivi o entusiasmo de uma segunda gravidez e, como optimista que sou, achei que ia ser tal e qual como a primeira: perfeita. O destino mais uma vez trocou-me as voltas e tratou de ajustar as minhas expectativas. Foi-me diagnosticado placenta anterior prévia, incisura bilateral das artérias uterinas e bebé em posição transversa, o que numa fase inicial implicou apenas um controlo mais regular da gravidez. A meio da gestação, ainda a trabalhar, senti um plof, (achei que me tinham rebentado as águas), só que não era água, era mesmo sangue. Tive o primeiro de três descolamentos da placenta e fiquei em repouso absoluto. O segundo descolamento motivou um internamento com ameaça de parto prematuro às 31 semanas o que, felizmente, acabou por não acontecer. Como à terceira é de vez e dado que esta placenta já se preparava para descolar completamente, como a Península Ibérica no livro do José Saramago, o bebé teve de nascer e foi feita uma cesariana de urgência. Correu tudo bem, mas não nos livrámos de uma passagem pela neonatologia, que é sempre uma experiência que nos ajuda a colocar tudo em perspectiva.

Coincidência, ou não, o primeiro descolamento da placenta aconteceu poucos dias após o início do processo de dessensibilização do Pedro – uma nova etapa desta nossa caminhada, no mundo da alergia alimentar.

Serviu o meu relato/queixume inicial para dizer que, de uma maneira ou de outra, comigo presente ou não, tudo se fez. Este, foi sem dúvida, o meu maior ensinamento de 2018: deixar fluir…

Bom ano novo! 😀

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E este, também vai ser alérgico?

Desde que anunciei a segunda gravidez, a pergunta que mais me têm feito é se este bebé também será alérgico como o irmão mais velho.  Bom, houve uma pessoa que me perguntou “se este iria ser normal”, mas não vou incluí-la nesta estatística.

Encaro a primeira questão com bastante naturalidade, porque é uma interrogação que eu própria faço. A verdade é que não faço a mínima ideia do que a lotaria genética/ambiental nos reservou desta vez. Conheço várias famílias, em que um filho é alérgico e outro não, em que os dois o são, em que os irmãos têm as mesmas alergias, em que os irmãos têm alergias diferentes (ai!).

De uma coisa estou certa: hoje estou perfeitamente apta a identificar os sintomas de uma alergia alimentar e a agir em conformidade – algo que há seis anos não estava!

PS – À pessoa que me perguntou “se este iria ser normal”, respondi que esperava que não. O meu desejo é que seja tão extraordinário como o irmão. Não há nada mais aborrecido do que a normalidade, certo?

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Aguenta coração, aguenta barrigão

Qual é a probabilidade de, na semana em que o Pedro inicia um protocolo hospitalar de indução de tolerância oral ao leite, vulgarmente chamado de dessensibilização (e sobre o qual ainda não estou preparada para falar aqui), esta que vos escreve tem um descolamento da placenta (entre outros achaques relacionados com a gravidez) que a atiram para repouso absoluto, sem passar pela casa de partida nem receber 10 euros? Elevada, se estivermos a falar desta família nascida e criada sob o “signo de Calimero”.

Eis as razões deste silêncio de mais de um mês. Demasiadas emoções para gerir.