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Ponto de situação

Aos cinco anos e meio, o Pedro mantém-se alérgico às proteínas do leite de vaca. Assim o demonstram as últimas análises sanguíneas, sendo que os valores não têm oscilações relevantes (no bom e no mau sentido), do ponto de vista clínico, há mais de dois anos. De dia para dia sou confrontada com a pergunta…
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Agradecer

Agradecer a todos os santinhos (até eu que sou uma grande herege!) por ver mais quatro canetas de adrenalina chegarem intactas ao final do prazo de validade e reiniciar a “caça”!  

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De regresso

Curtas a propósito da minha viagem: Na ida, 0h46m foi, aproximadamente, o tempo que demorou até que o rapaz que viajava ao meu lado começasse a falar comigo, a propósito do livro que eu ia a ler (Confissões de uma Médica, da Sofia Serrano). 0h02 foi o tempo que demorou até que eu começasse a…
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Até tenho amigos que são …

No último sábado tive a oportunidade de frequentar um workshop, cujos participantes estavam todos ligados, de algum modo, ao sector alimentar. Quis o destino e a lei da atracção (fortíssima aqui para os meus lados) que acabássemos a almoçar juntos e a ter aquelas conversas de circunstância, de quem se acaba de conhecer. Fiquei ao…
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Passou uma semana desde que vi a reportagem sobre os pais que perderam a filha, alérgica às proteínas do leite de vaca, na sequência de um choque anafiláctico. Eu já tinha ouvido falar do caso e cheguei a referi-lo, como exemplo de uma reacção com um desfecho trágico, em algumas das formações que dei, na minha condição de vice-presidente da Alimenta.

Acredito que ninguém tenha ficado indiferente ao relato daqueles pais. Eu fartei-me de chorar porque o nível de identificação com a situação é brutal, ainda que, não consiga conceber sequer a dor que será…

Gostaria apenas de fazer dois comentários sobre este caso e a sua divulgação:

Mais uma vez, foram confundidos os conceitos de intolerância à lactose e alergia às proteínas do leite de vaca. São condições clínicas distintas, com manifestações distintas, também. Escrevi sobre isso aqui.

A administração, correcta e atempada, da caneta de adrenalina pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

 

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Dois anos de blogue

O blogue fez dois anos e ainda não tinha tido tempo de vir aqui fazer algumas reflexões. Apesar das intermitências deste espaço de partilha, causadas pela loucura que é a minha vida, o maravilhoso feedback que recebo todos os dias diz-me que estou no caminho certo. O Pedro vai fazer cinco anos em Novembro e…
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Inspira, expira

Os primeiros dois anos do Pedro foram terríveis a nível respiratório. Não exagero se disser que, cada dente que nascia trazia uma bronquiolite como “brinde”. Foi nessa altura que comecei a ouvir, nos consultórios por onde passava, a expressão “marcha alérgica”, sobre a qual escrevi aqui. Agora, com quatro anos e meio, e ainda a…
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Estreias

O sábado passado foi dia de estreia cá em casa. O Pedro comeu pela primeira vez um “corneto” e, tal como era de prever, delirou! Note-se que era um gelado sem leite, feito à base de soja e arroz.

O mais engraçado desta experiência, para além da satisfação do pequenino, foram as reacções das pessoas a quem mostrei esta foto.

Enviei-a à minha mãe e ficou em pânico, a pensar que eu tinha enlouquecido de vez e tinha dado um corneto com leite de vaca, à criança. Ligou-me de imediato a descompor-me e, nem mesmo depois de a tranquilizar, ficou suficientemente convencida. “É que parece mesmo a sério… “ – dizia ela.

Mostrei a várias amigas e, aqui, a reacção já foi um pouco diferente: “Whoa, fizeste cornetos em casa!”. Obrigada por acreditarem nos meus dotes culinários a esse ponto meninas, mas ainda não foi desta. Todo o trabalho que a “operação corneto” implicou foi abrir a caixa (depois de ter largado uns valentes euros, já se sabe!).

Estreias

 

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Não foi um dia bom

Esta semana, rumámos à Estefânia para a consulta de Imunoalergologia, a fim de obtermos um ponto de situação relativamente à alergia às proteínas do leite de vaca, do Pedro.

Como as análises sanguíneas foram feitas lá, só na consulta tivemos conhecimento dos resultados destas… e a verdade é que estes foram bastante desoladores. A alergia não só não melhorou, como agravou em praticamente todas as proteínas… A boa notícia é que os prick-tests para o amendoim e a grande maioria dos frutos secos deram negativos, mas depois da reacção tão exuberante que um simples pistachio causou, na altura do Natal, não tenho grande vontade de voltar a tentar. Adiante.

O nosso dia prosseguiu e este incluía uma celebração do Dia da Mulher no infantário, destinada exclusivamente às mães das crianças, com direito a chá e a bolinhos. Ao contrário do que estava previsto, no final as crianças acabaram por juntar-se às mães e, também elas, quiseram comer qualquer coisa. É então que, enquanto fitava uma mesa cheia de bolos, o Pedro me faz a pergunta sacramental:

“Mãe, posso comer alguma coisa do que aqui está?”

A resposta era não. Nesse preciso momento, abateram-se sobre mim, como uma bigorna em cheio na cabeça, os eczemas, as cortisonas, os anti-histamínicos, as noites em claro, a adrenalina, a câmara expansora, os broncodilatadores, os leites hidrolisados, as bebidas vegetais, as urgências, as faltas de ar, a urticária, as receitas falhadas, as receitas bem-sucedidas, as noitadas na cozinha, o estigma, os rótulos, a despensa às costas, as consultas, as análises, a falta de empatia, a frustração, a ansiedade, o cansaço e permiti-me, por breves momentos, desabar.

Não foi um dia bom.