Não foi um dia bom

Esta semana, rumámos à Estefânia para a consulta de Imunoalergologia, a fim de obtermos um ponto de situação relativamente à alergia às proteínas do leite de vaca, do Pedro.

Como as análises sanguíneas foram feitas lá, só na consulta tivemos conhecimento dos resultados destas… e a verdade é que estes foram bastante desoladores. A alergia não só não melhorou, como agravou em praticamente todas as proteínas… A boa notícia é que os prick-tests para o amendoim e a grande maioria dos frutos secos deram negativos, mas depois da reacção tão exuberante que um simples pistachio causou, na altura do Natal, não tenho grande vontade de voltar a tentar. Adiante.

O nosso dia prosseguiu e este incluía uma celebração do Dia da Mulher no infantário, destinada exclusivamente às mães das crianças, com direito a chá e a bolinhos. Ao contrário do que estava previsto, no final as crianças acabaram por juntar-se às mães e, também elas, quiseram comer qualquer coisa. É então que, enquanto fitava uma mesa cheia de bolos, o Pedro me faz a pergunta sacramental:

“Mãe, posso comer alguma coisa do que aqui está?”

A resposta era não. Nesse preciso momento, abateram-se sobre mim, como uma bigorna em cheio na cabeça, os eczemas, as cortisonas, os anti-histamínicos, as noites em claro, a adrenalina, a câmara expansora, os broncodilatadores, os leites hidrolisados, as bebidas vegetais, as urgências, as faltas de ar, a urticária, as receitas falhadas, as receitas bem-sucedidas, as noitadas na cozinha, o estigma, os rótulos, a despensa às costas, as consultas, as análises, a falta de empatia, a frustração, a ansiedade, o cansaço e permiti-me, por breves momentos, desabar.

Não foi um dia bom.

2 thoughts on “Não foi um dia bom

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *