Por que não te calas?

A ideia de que a alergia alimentar não definiria o meu filho sempre fez todo o sentido para mim e, todos os dias, faço tudo o que está ao meu alcance para que assim seja. Mas, talvez por estar tão empenhada nesta tarefa, comecei a deixar que a condição de “mãe de criança com alergia alimentar” me comece a definir a mim e seja justificação para tudo, na minha vida. Nem eu tenho pachorra para mim, tal é a crise de verborreia (lembram-se deste tipo de mãe?) relacionada com o tema que me acometeu nos últimos meses. Pareço o Lobo Antunes a falar do Ultramar, com a única diferença que ainda não operei ninguém a sangue frio.

Eu, no elevador do prédio:

“Vizinha, atenção aí às migalhas da bolacha do seu filho. É que o meu é alérgico e blá, blá, blá…”

Eu, entre amigas:

“Sim, estou cheia de olheiras é que me deito tardíssimo, porque tenho de fazer as refeições do pequenino por causa da alergia e blá, blá, blá…”

Eu, com o início de uma pneumonia nas urgências:

“Pois tenho de ter cuidado, sobretudo porque o meu filho tem alergia alimentar e blá, blá, blá…”

Eu, num grupo de discussão online sobre marketing:

Sim, o meu blogue em WordPress é sobre alergia alimentar, blá, bla, blá…

Eu, no supermercado, dirigindo-me a uma perfeita estranha:

“Gosto de ler os rótulos. É por absoluta necessidade, pois o meu filho tem uma alergia blá, blá, blá…”

Eu, numa reunião de trabalho:

“O meu filho é alérgico ao leite e blá, blá, blá… (oh bolas, como é que eu comecei a falar disto neste contexto!?)

E, esta noite, eu a sonhar que estava no Quem Quer Ser Milionário a responder a uma questão sobre o quê? Isso mesmo! Alergia alimentar! Concretamente, sobre IGEs não mediadas. Pufffffffff…

Posto isto, façam-me um sinal se me virem falar demais.

Eu vou tratar-me, prometo.

Alergia

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