Ano Novo, Velhos Problemas*

Janeiro de 2015.

Uma família passeia, descontraidamente, num centro comercial/jardim/parque e a hora do almoço aproxima-se. A criança começa a dar sinais de impaciência motivada pela fome. Face a isto, seria natural que esta família decidisse comer algo nas imediações do local onde se encontra, certo?

Bem, se tivermos em conta que esta família em passeio é a minha família e a criança impaciente é o meu filho, alérgico à proteína do leite de vaca, isto poderá não estar tão certo assim.

O grande desconhecimento sobre a questão das alergias alimentares, em Portugal, é extensivo também aos profissionais da restauração. Acredito que haverá excepções, mas, prefiro não arriscar.

A realidade é que há profissionais que continuam a recusar dizer os ingredientes de determinado prato, alegando que “não revelam o seu segredo”, mesmo que se explique que o que está em causa é a vida de uma pessoa. E apesar disto parecer quase anedótico, corresponde à mais pura das verdades e já aconteceu a várias pessoas que eu conheço.

Assim sendo, opta-se simplesmente por não fazer refeições fora de casa ou, optando por fazê-las, tem que existir um planeamento prévio, de modo a levar-se tudo já feito de casa. (Sim, nós somos aquele tipo de família que se apresenta nos restaurantes munidos de termos e tupperwares).

Posto isto, um dos meus desejos para 2015 é que o sector da restauração comece a despertar para estas problemáticas, de modo a oferecer opções seguras e válidas para todas as pessoas com alergias alimentares.

Desejo que seja um ano cada vez mais “up to new places” e cada vez menos “up to our kitchen”.

*Texto publicado, originalmente, na Up to Lisbon Kids, a 20/01/2015

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