A marcha alérgica

É sabido que, quando as crianças entram para a creche/jardim de infância, os primeiros tempos tendem a ser complicados, no que respeita às viroses e doenças infantis de toda a ordem. É claro que também há excepções e existem miúdos rijos como o aço, a quem nada se lhes chega (inveja!!!).

Como calcularão, o meu pequeno copinho de leite, não faz parte deste grupo e o primeiro ano na creche foi um verdadeiro pavor. Não cheguei a fazer um registo formal, mas creio não estar a mentir, quando digo que nunca chegou a frequentá-la um mês seguido. O primeiro sobressalto chegou logo após as duas primeiras semanas, com um exantema súbito, também conhecido por “a sexta doença” (huhuhhu). Depois vieram as otites, as amigdalites, as constipações, as bronquiolites, a herpangina, a escarlatina, etc, etc…O facto de que, a cada dente que nascia (e como eles demoraram a nascer, senhores!) vir associada  uma nova maleita, também não ajudava.

Acredito que muitos pais se revejam neste testemunho, mesmo pais de crianças sem alergias de espécie alguma. Então, o que há de diferente aqui nesta história? Creio que será o facto de todas estas doenças e até mesmo o nascimento dos dentes, se fazerem acompanhar de pieira, sibilância, falta de ar.

Foi então que tomei conhecimento dessa inolvidável expressão: “a marcha alérgica”.

Diagrama da responsabilidade de LEAP Study, Evelina Children’s Hospital, London

No fundo, a “marcha alérgica” ou “marcha atópica” é uma sistematização da progressão habitual destas patologias. Estas tendem a manifestar-se, inicialmente, a nível cutâneo (eczema), passando para a alergia alimentar, depois para a rinite e, finalmente, para a asma. Infelizmente, por aqui tem sido assim e já se faz medicação diária, há mais de um ano, para controlar as crises de falta de ar.

A boa notícia é que isto nem sempre é assim tão linear. A maioria das crianças ultrapassa as alergias alimentares e, muitas, não chegam sequer a desenvolver rinite ou asma. Digamos que, diagramas como este são uma espécie de aviso à navegação, para aqueles marinheiros mais incautos, que não sabem muito bem com o que contar! Dito isto:

marchar

 

 

 

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