O nascimento de uma mãe (de uma criança alérgica)

Há aquela teoria que, em alguns casos, o “nascimento da mãe” não coincide exactamente com o nascimento do filho, apesar da evidência biológica de tudo o que acabou de acontecer.

Lembro-me sempre dela, ao recordar a minha própria experiência como mãe de um bebé de quatro meses, ao qual acabara de ser diagnosticada uma alergia alimentar grave. Enquanto escrevo estas linhas, ocorre-me a imagem de um pequeno coelho encandeado pelos faróis de um carro, numa noite escura. Estão a ver? Eu era esse coelho.

Ora eu, que ainda estava a recuperar do facto do meu filho ter nascido com a clavícula partida e que, cada vez que chorava, todos os ossinhos pareciam bater palmas, já estava a braços com uma nova e desafiante realidade.

A Lei de Murphy é para meninos, quando comparada com a Lei Copinho de Leite, devo dizer-vos.

Do choque passei à tristeza (porquê a nós?????), mas já a querer aprender o mais possível sobre as alergias alimentares em geral e sobre a alergia à proteína do leite de vaca em particular. No entanto, e hoje sei-o perfeitamente, continuava a fazer uma coisa mal. O quê? O modo pouco assertivo como falava com toda a gente sobre a alergia do Pedro, quase que a pedir desculpa por ela.

Não sei precisar quando é que se deu a mudança no meu comportamento, porque tudo isto é um processo em curso, mas gosto de pensar que talvez tenha sido naquele convívio de família em que eu me lancei, literalmente, sobre uma mesa, para evitar que alguém lhe desse a provar um bolo carregado de natas. 🙂

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